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Família e Sucessões

Direitos das crianças e adolescentes com deficiência: o que a lei garante

Estatuto da Criança e Lei Brasileira de Inclusão se somam: prioridade no atendimento, escola sem cobrança extra, saúde com acompanhante e convivência familiar preservada. Onde as famílias mais perdem direito é na desinformação.

Uma criança com deficiência é protegida por duas leis ao mesmo tempo: o Estatuto da Criança e do Adolescente, que trata de toda criança, e a Lei Brasileira de Inclusão, que trata de toda pessoa com deficiência. As duas se somam — e é dessa soma que nascem direitos que muita família descobre tarde demais.

Prioridade absoluta não é figura de linguagem

A Constituição e o Estatuto da Criança e do Adolescente colocam a criança e o adolescente em prioridade absoluta: primazia no atendimento, preferência na formulação de políticas e na destinação de recursos. Quando a criança tem deficiência, essa prioridade se soma às garantias da Lei 13.146/2015 — e produz efeitos concretos em três frentes que aparecem no dia a dia.

Saúde: direito a atendimento integral, habilitação e reabilitação, com atenção às terapias que o quadro exige; e o direito de ter acompanhante durante o atendimento e a internação. Educação: matrícula na rede regular, adaptações e apoio, sem cobrança adicional na escola particular — e recusar matrícula por deficiência é crime. Convivência familiar: a criança com deficiência tem o mesmo direito de viver em família, e a deficiência, isoladamente, não é motivo para afastá-la dos pais nem para negar adoção.

Onde as famílias mais perdem direito por desinformação

Três situações se repetem. A primeira é o benefício assistencial: muita família não pede o BPC por acreditar que ele exige contribuição ao INSS — não exige — ou por desistir depois da primeira negativa, que costuma ser reversível quando as barreiras do dia a dia são documentadas.

A segunda é a escola: a família aceita meia jornada, aceita pagar acompanhante por fora, aceita "por enquanto não temos como" — quando a lei já resolveu essa discussão. A terceira é a proteção contra negligência e violência: a criança com deficiência está mais exposta, e a lei prevê o dever de comunicar suspeitas ao Conselho Tutelar, com consequência para quem se omite. Registrar não é acusar; é acionar o sistema que existe para verificar.

Na prática: duas famílias, o mesmo diagnóstico. Dois irmãos de escolas diferentes recebem o mesmo diagnóstico aos quatro anos. Na primeira casa, a família aguarda "a criança se desenvolver" antes de procurar direitos: não pede o benefício, aceita a redução de horário na escola e paga terapias com o que sobra. Na segunda, a família organiza o mesmo diagnóstico em três frentes ao mesmo tempo — benefício, escola e saúde —, com laudos, relatórios e pedidos por escrito em cada uma. Dois anos depois, as duas crianças evoluíram; só uma delas teve o tratamento custeado, a escola adaptada e a renda familiar preservada nesse período.

Quero saber quais direitos se aplicam ao meu filho

Um conselho que vale para qualquer uma dessas frentes: guarde tudo em uma pasta única — laudos, relatórios de terapia e da escola, receitas, notas de despesa, protocolos de pedidos e as respostas recebidas. É a mesma documentação que sustenta o benefício no INSS, o pedido na escola, a cobertura do tratamento e, se for preciso, a ação judicial. Uma pasta bem organizada resolve mais do que várias conversas.

Perguntas frequentes

A criança com deficiência tem direito a acompanhante no hospital?

Sim. A legislação assegura acompanhante durante atendimento e internação, além do atendimento prioritário.

A escola pode reduzir a jornada do meu filho por causa da deficiência?

Não como imposição unilateral por falta de estrutura. A escola tem dever de adaptar e oferecer apoio, e na rede particular não pode cobrar valores adicionais por isso.

Deficiência é motivo para perder a guarda ou impedir adoção?

Não. A deficiência, isoladamente, não afasta o direito à convivência familiar nem impede que a pessoa com deficiência seja adotante, guardiã ou tutora.

Suspeito de negligência com uma criança com deficiência. O que faço?

A comunicação ao Conselho Tutelar é o caminho previsto em lei, e existe consequência para quem se omite. Comunicar não é acusar: é acionar quem tem o dever de verificar.

Ronalt Almeida

Ronalt Almeida

Advogado · OAB/SP 494.652

Atua em Família e Sucessões no escritório Ronalt Almeida Advogados, com foco em orientar o cliente de forma clara sobre riscos, prazos e alternativas antes de qualquer decisão.

Aviso: este conteúdo tem finalidade exclusivamente informativa e não substitui a consulta a um advogado. Cada caso possui particularidades de fato e de prova que podem alterar completamente o resultado. Publicação em conformidade com o Código de Ética e Disciplina da OAB e com o Provimento nº 205/2021.

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